Eu cantando "Carinhoso", de Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho, Rio de Janeiro, 23 de abril de 1897 — Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1973) e João de Barro, também conhecido como Braguinha (Carlos Alberto Ferreira Braga, Rio de Janeiro, 29 de março de 1907 – 24 de dezembro de 2006), numa gravação caseira. Dá pra notar pela qualidade péssima do som e pelo playback original atrolepado que encontrei, mas foi o "melhor" que pude fazer e não há como melhorar o som:tudo feito com "sérias restrições orçamentárias", como diz o pessoal do Casseta e Planeta, rs rs rs. Eu gravei a minha voz com o microfone pra computador, aquele que vem no fone (não recomendado pra canto), separadamente do playback com este no meu ouvido já gravado no meu MP4 pra depois sincronizar minha voz com a harmonia da música, pois, se eu gravar junto com playback a voz sai bem baixinha, não sei por quê. Ao juntar o playback com a minha voz, porém, há situações que aparecem chiados na gravação, embora na gravação original da voz não houve nada disso. Apesar da falha irreparável, a brincadeira foi bem bacana.
Estamos na semana da criança. E pra relembrar, escolhi uma música que lembra um pouco a época que eu tirei essa foto acima:"Se Enamora", da Turma do Balão Mágico (quem não se lembra?), formado por Tob, Mike (filho do célebre criminoso inglês Ronald Biggs ), Simony (essa que vem fazendo de tudo pra aparecer, até foi uma das famosas que se candidatou a deputada este ano, mas não conseguiu) e Jair Oliveira (na época, Jairzinho) que até hoje é cantor, além de instrumentista e produtor. Mas essa música que marcou a nossa infância e de quem tem, no mínimo, 30 anos de idade ganhou a versão mais madura no video abaixo, feita pela cantora folk romântica Tiê (Tiê Gasparinetti Biral, São Paulo, 17 de março de 1980), esta que é neta da atriz Vida Alves (Itanhandu, Minas Gerais, 15 de abril de 1928). Vale a pena ouvir a versão da cantora de nome de um passarinho que, segundo o site do Jornal Folha de São Paulo, "tem atributos para ser uma artista do quilate de uma Carla Bruni à brasileira." (Guia da Folha Online)
Música:"Tudo, menos amor" Autores:Monarco, Walter Rosa
Obs.:Alguns navegadores, como o Mozilla Firefox 3.6.8 , não pegam esse video, deixando este post sem imagem nenhuma. Melhor tentar este post com Internet Explorer ou Google Chrome.
Essa música, se fosse da minha autoria, seria pra minha mãe, se um dia eu deistir do sonho dela de me ver cantando para ir a um outro caminho mais garantido.Sim, eu desistiria por um motivo justo:este aqui http://jotadejeane.blogspot.com/2010/03/sobre-o-jaba.html
Mamãe Coragem Escrita por: Caetano Veloso e Torquato Neto Intérprete:Gal Costa
Mamãe, mamãe, não chore A vida é assim mesmo Eu fui embora Mamãe, mamãe, não chore Eu nunca mais vou voltar por aí Mamãe, mamãe, não chore A vida é assim mesmo Eu quero mesmo é isto aqui
Mamãe, mamãe, não chore Pegue uns panos pra lavar Leia um romance Veja as contas do mercado Pague as prestações Ser mãe É desdobrar fibra por fibra Os corações dos filhos Seja feliz Seja feliz
Mamãe, mamãe, não chore Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz Mamãe, seja feliz Mamãe, mamãe, não chore Não chore nunca mais, não adianta Eu tenho um beijo preso na garganta
Eu tenho um jeito de quem não se espanta Braço de ouro vale 10 milhões Eu tenho corações fora peito Mamãe, não chore Não tem jeito Pegue uns panos pra lavar Leia um romance Leia "Alzira morta virgem" "O grande industrial"
Eu por aqui vou indo muito bem De vez em quando brinco Carnaval E vou vivendo assim: felicidade Na cidade que eu plantei pra mim E que não tem mais fim Não tem mais fim Não tem mais fim
Mariah Carey, cantora, também é apaixonada pelo macarrão, porém, com bastante queijo.
No post anterior sobre o pior comercial de carne de frango, eu falei de um tal macarrão penne com creme de leite, presunto e bacon. Na verdade, a mamãe tirou de uma receita de um programa de TV regional (uma espécie de "Mais Você" daqui da região, mas sem um Louro José ou qualquer animal de estimação falante, rss!). A mamãe fez. Papai nem encostou na comida. Ela e meu irmão acharam mais ou menos. Mas eu adorei e até resolvi publicar a tal receita (acha que esse blog não tem receitas? Tá aqui, ó!). Uma receita simples e rápida que até eu que sou uma incompetente posso fazer. A Mariah Carey (Long Island, Nova Iorque, 27 de março de 1970) também iria adorar, já que o marido dela a elogia tanto como cozinheira, rss!Ela poderia acrescentar queijo, já que a cantora adora macarrão com muuuito queijo!Vai os ingredientes:(obs.:não contem frango, rss!)
* 350 g de macarrão penne com vegetais * 100 g de bacon * 100 g de queijo mussarela (200 à gosto da Mariah, rss!Ou ao seu. O queijo é opcional) * 100 g de presunto * 1 lata de creme de leite * Sal à gosto
Corte o bacon em cubinhos pequenos e frite em óleo Quando estiver bem fritinho, retire todo o óleo Coloque o presunto cortado em tirinhas finas, frite por alguns minutos Com o prsunto e bacon já fritos, coloque o creme de leite, aqueça por 2 minutos e desligue o fogo para não ferver o creme de leite. Acrescente sal à seu gosto. Se quiser acrescentar queijo, coloque-o cortado em tirinhas finas. (o queijo já salga o molho, então não precisa por sal no caso de acrescentá-lo) Coloque o macarrão escorrido em um recipiente redondo grande, coloque o molho por cima e decore ao seu gosto. Sirva quente.
Agora só resta saber quando vai ser a próxima vez que sou comer esse macarrão a não ser que eu mesma o faça pra família que achou razoável, rss!
Acreditem se quiser, essa aí sou eu cantando a música "Desafinado", de Tom Jobim (Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994) e Newton Mendonça (Newton Ferreira de Mendonça, Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 1927 — Rio de Janeiro, 22 de novembro de 1960) no ensaio para a prova de banca do conservatório. O tema desse semestre é "bossa nova" e selecionei essa música gravada pelo João Gilberto (João Gilberto Prado Pereira de Oliveira,Juazeiro, Bahia, 10 de junho de 1931) em 1959. No violão, está o colega meu, Miguel Ataíde. Eu ia me gravar também cantando "As Praias Desertas" do Tom Jobim, mas a placa de memória da minha máquina fotográfica só dá pra gravar 2'56 minutos.Uma mixaria! E isso marca a minha breve volta às gravações precárias (vagabundas, mesmos, por sérias restrições orçamentárias, rss!) em uma máquina fotográfica depois de três anos de "ostracismo do YouTube". É que muito amigo internauta meu me pergunta quando vou botar videos novos e tô pior que Amy Winehouse planejando seu próximo trabalho e, depois, empurrando com a barriga, rss! A parte mais engraçada do video é que, em 2:17, eu ri porque é só eu falar em desafinado que me lembro daquele episódio do show daquela cantora em Newcastle, Inglaterra, que postei no post anterior (clique aqui). Se eu cantei afinada, não sei, mas não se preocupem, pois, ao contrário da cantora americana, não vivo em excessos, graças a Deus, e nem tenho problemas de insuficiência respiratória, rss!
O período das copas mundias se coincide com a época das festas juninas, portanto, tanto no Rio Grande do Sul quanto aqui em Santa Catarina, ambos onde o frio é tão intenso quanto em Campos do Jordão, em São Paulo (eu nunca estive lá), torcemos pelo Brasil comendo pinhão e bebendo quentão, daqueles fervendo em com teor alcoólico fraquinho, fraquinho. E eu adoro isso!!!!
E qual é o problema? Somos do Sul do Brasil. Vamos seguir nossas tradições!
Na sexta-feira passada, dia 4 de junho, encontrei por acidente o profile do Rildo Hora no YouTube ( http://www.youtube.com/user/Rildohora ) e mandei um comentário à toa pra ele. Nessa quarta-feira, dia 9, recebi um comentário de um anônimo aqui no meu blog dizendo que gostou de ver meu video comigo cantando uma música (quase) desconhecida da autoria do Rildo:
"Olá Jeane! vc cantou 'para ficar" muito bem. Vc é uma moça muito antenada, de bom gosto, do bem, está sempre elogiando as pessoas de valor,etc. Que Deus te ilumine sempre e que vc sempre seja essa pessoa maravilhosa e agradável de se ouvir, de se ler e de se admirar.PARABÉNS!"
"Eu ainda estou na dúvida de quem postou esse comentário maravilhoso no meu blog. Será que é quem eu tô pensando? "
Chegou hoje à noite (11/06), uma surpresa. Eu, que faz um tempão que não me ouço mais cantar em videos no YouTube e que só acesso ao site pra procurar novidades de meus sambistas preferidos (e do meu rei da música preferido), ao ver se chegou alguma mensagem ou comentário, encontrei esse:
"Jeane Martins é encantadora. Gostei muito de ouvir minha composição em sua voz. Parabéns! Rildo Hora"
Meu Deus! Rildo Hora, ele mesmo, visitou meu blog. O maestro que, graças aos seus arranjos emotivos nos CD's do Zeca Pagodinho, aprendi a gostar dele.Nossa! Viu meu video comigo cantando uma música da autoria dele. Ainda essa semana, quando meus pais tiraram um tempinho pra ver DVD's do Grupo Fundo de Quintal, do Zeca Pagodinho e do show "Cidade do Samba", mostrei a eles quem era o tal maestro que era grande amigo da minha amiga Maria Luiza, a Malu, esposa de Ataulpho Jr e nora do lendário Ataulpho Alves que ligou pra minha casa em setembro do ano passado, rss!Putz, fiquei até vermelha,rss!E é com muita humildade que eu agradeço de coração (que estava na mão e agora voltou ao meu peito, rss!) ao Rildo que adoro muito, por ter gostado do video, pela minha visitinha ao meu blog e que volte assim que puder que tem mais coisas suas aqui, uns 26 posts eu acho, rss!
Pra quem não sabe ou nunca viu,o video era esse (gravado na sala da minha casa, na frente do computador, em 2007.Ali eu tava com espinhas a mais na cara, rss!!Nem imaginava que isso aconteceria.) http://www.youtube.com/watch?v=ImJf_VvL_PY
A exigência do pagamento de jabá mata os próximos Chico Buarque, Maria Bethânia, Zeca Pagodinho e Gal Costa .Essa coisa de pagar milhões a gravadora pra ser divulgado, mesmo se o sujeito não tenha talento pra música, não tá com nada, parece até que virou lei pra quem sonha com a exibição do seu trabalho musical. Conclusão: se um cantor pobre tiver todo o talento do mundo, mas não tiver toda a grana do mundo, que ele se exploda. Por isso que, hoje, cantores não são mais cantores, CD's não são mais CD's e DVD's não são mais DVD's, são todos produtos que têm que ser exibidos forçadamente. Os verdadeiros talentos que tentam e não conseguem estão se transformando em uma espécie em extinção. E pode ter certeza de que eu serei "assassinada" pela tal exigência e ressuscitarei em outro exercício que não tenha nada a ver com a música pra não ter futuros problemas financeiros.
Leia a matéria sobre o jabá que postei no meu blog, clicando aqui
Eu como profissional me vejo nesse estado:como quem partiu ou morreu. E o que seria essa "roda viva" que estraga os nossos planos? O jabá "obrigatório" desde a década de 90? A onda musical de cada ano?
RODA VIVA Composição: Chico Buarque Intérpretes:Chico Buarque e MPB-4
Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu A gente estancou de repente Ou foi o mundo então que cresceu?
A gente quer ter voz ativa No nosso destino mandar, Mas eis que chega a roda viva E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração.
A gente vai contra a corrente Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir Faz tempo que a gente cultiva A mais linda roseira que há, Mas eis que chega a roda viva E carrega a roseira prá lá.
Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração.
A roda da saia, a mulata Não quer mais rodar não senhor Não posso fazer serenata A roda de samba acabou!
A gente toma a iniciativa Viola na rua a cantar Mas eis que chega a roda viva, E carrega a viola prá lá.
Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração.
O samba, a viola, a roseira Que um dia a fogueira queimou Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa Faz força pro tempo parar, Mas eis que chega a roda viva E carrega a saudade prá lá!
Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas rodas do meu coração. (4x)
No meu Twitter, contei que fui ao supermercado perto daqui de casa porque eu tava com vontade de comer cookies que são tipo de uma broa (seria uma humilhação chamar cookie de broa) cuja massa tem aroma opcional (balnilha, côco ou chocolate) em formato redondo com gotas de chocolate que comi há alguns tempos e era da marca Nabisco. Mas quando fui ver o preço... R$ 5,35 o pacote de 200 gramas!Dava pra comprar um quilo de broa na feira de sábado de manhã, rss!!Fui ao outro mercado , um mini-mercado que também ficava próximo da minha casa, comprei esse pacote da foto de uma marca não conhecida (sabor baunilha com gotas de chocolate) que contem 70 gramas, pacote fininho por um real (olha só que diferença pra da Nabisco!). Pô, mesmo que tenha uns três cookiezinhos do tamanho típico do medalhão do rei Roberto Carlos (pecado!), eu quero comprar. Quando fui abrir pra comer com café com leite bem quentinho, bicho, uma decepção:era um pouco maior que o tamanho de uma moeda de um real (não foi à toa que esse cookie custou isso, rss!!) e a quantidade de gotas que no pacote aparecia ter nove ou dez, são de três a seis, dependendo da espessura, mas, mesmo assim, não era ruim, não:dava pra comer rezando. Mas, pô, precisava fazer essa ampliação tentadora e enganosa pra fazer a gente acreditar que é o que a gente vê?? Quem sabe, se eu ganhar na loteria ou na Trimania (pra quem não é catarinense, é uma espécie de "Telesena" da região) eu compraria essa da Nabisco ou das mais deliciosas, porém gananciosas de tão caras que são Cacau Show (essa também enganou. Clique aqui) e a Kopenhagen. E pela internet afora estão sentando o pau nessas propagandas enganosas e quem são as vítimas?Os alimentos, principalmente os principais fast-foods, frios e ... cookies, hahahahaha!!
Como diz o ditado:"Não acredite no que os seus olhos vêem"
Adorei a reportagem, esse Mauro Dias tirou tudo da minha boca. Esse texto foi publicado originalmente em junho de 1999, há dez anos no Jornal O Estado de São Paulo (vai fazer onze daqui há 3 meses), mas o tema infelizmente continua até hoje graças aos sertanejos universitários, rebolations e pagodes mauriçolas. Como eu disse no meu Twitter:"Sonhos São Gratuitos. Torná-los em Realidade tem um preço:R$ 20.000,00 por jabá, hahahahahahahahahaha!!!!"Vou apostar na loteria pra ver se eu ganho, rss!!
Sobre o Jabá Texto de Mauro Dias
A música brasileira entrou num impressionante processo de decadência. Errado. A música brasileira continua boa como sempre. Há grandes compositores, cantores, instrumentistas. Mas não é possível dizer que estejam em atuação. Tentam atuar. Não têm onde. Tentam viver da arte – tolice. São dentistas, fiscais do INSS, professores, motoristas de táxi, balconistas, colunistas de jornais – essas atividades garantem a sobrevivência. Tomam tempo – a criação artística, que é a atividade principal (estamos falando de artistas) acaba sendo deixada para as horas possíveis. A música brasileira que toca nos rádios, na televisão, nos grandes palcos, nos estádios, nas festas de São João, no carnaval, nas convenções de criadores de gado é que está em decadência. E só ela que aparece. A outra música, a boa, existe, mas não aparece. A culpa é dos radialistas, dos que montam trilhas sonoras de televisão, dos executivos das gravadoras, dos produtores de discos e espetáculos, dos marqueteiros da indústria de entretenimento. Essa gente criminosa está transformando, conscientemente, coração em tripa. É responsável pela seleção do que você ouve e deixa de ouvir. Essa gente está assassinando o que há de mais rico em nossa produção cultural. E ganhando muito, muito, muito dinheiro.
É essa a idéia. Ganhar dinheiro, e dane-se o resto. Um disco, na indústria, não é chamado de disco, mas de "produto". O produto precisa vender. Para que o produto venda, precisa ser exibido. Até agora, apenas regra de mercado, nada demais. No entanto, para que seja exibido, paga-se ao exibidor – ao programador de rádio, ao apresentador de programa de auditório televisivo. Como são muitos, os produtos, sobe o cachê do exibidor. É uma prática antiga, tem até nome: jabá.
Paga-se o jabá para que a música toque, sempre foi assim. Mas o mecanismo perverso foi ficando mais perverso. Quem pode pagar mais, consegue maior número de execuções. Isso é reproduzido no País inteiro. Quem pode pagar mais, escolhe o que você vai ouvir. E você fica achando que é só aquilo que se produz de música. Porque é só aquilo que está ao seu alcance. Quem não paga, não toca. Não existe.
Há alguns anos, uma igreja evangélica comprou a rádio FM Musical, de São Paulo, capital. Era uma rádio que só tocava música brasileira. Praticava o jabá, como todas, mas como a audiência era menor, o preço era menor. O que permitia o acesso às ondas sonoras a alguns artistas menos conhecidos – os tais que são dentistas ou fiscais do INSS. Às vezes, até sem pagamento de jabá programava a execução deles. Misturava um pouco de "música de mercado" e de música de verdade. Talvez por isso não tenha resistido. Há práticas alternativas de jabá. Um famoso letrista fez um disco independente, comemorativo de tantos anos de idade e de carreira. Armou pequeno esquema, alternativo, de distribuição do disco. Fiou-se, talvez, no nome famoso. Ouviu dos intermediários dos programadores de várias rádios: "Dá um aparelho de fax para ele que ele toca seu disco."
O retorno do investimento dos que pagam mesmo o jabá, o dinheiro alto, sai da venda de discos e shows, da venda de bonecos, camisetas, roupinhas para crianças, sorvetes, biscoitos, bicicletas, sandálias, lancheirinhas, pegadores de cabelo, batons, perfumes, roupas de cama e banho, coleções de lápis de cor ou o que se possa imaginar que possa ter estampada a marca do "ídolo". O "ídolo", por seu turno, cumpre a maratona de estar presente em todos os programas televisivos de auditório, garantindo audiência que vende os anúncios que sustentam os programas e fazendo a roda rodar, o preço subir. A presença do "ídolo" pode mesmo ser indireta: o apresentador Raul Gil, da TV Record (o texto foi escrito em 1999 e Raul Gil saiu da Record em 2005), prepara novos consumidores da bunda-music promovendo concurso de imitação do rebolado da Carla Perez, ex-É o Tchan. As candidatas têm 5, 6, 7 anos de idade.
Não há questão moral a ser considerada. O negócio é dinheiro. Um bom compositor, cantor, instrumentista vai ter de se submeter a determinados imperativos (ditados pelos que pagam a execução) ou fica de fora. Quem não entrar no esquema não aparece. Quem quer entrar no sistema precisa ter muito dinheiro – precisa pagar mais ainda, porque as "vagas" são limitadas. Se entra um, sai outro. Por isso existem as vogas, as ondas – um ano de música sertaneja, um ano de axé music, um ano de falsas louras bundudas, um ano de pagodeiros de butique, um ano de forró deformado, desforrozado (é o que se anuncia: preparem-se). E o preço vai subindo, a cada nova etapa da substituição.
Só quem entra no esquema, claro, é a grande indústria, que tem o dinheiro – e que inventou o esquema, afinal. No início da década de 90, o compositor Ivan Lins, com seu parceiro Vítor Martins, fundaram a gravadora Velas, para dar voz a uma quantidade imensa de músicos que eles conheciam, mas que estavam fora do mercado. Nomes como os de Edu Lobo, Fátima Guedes, Almir Sater, Pena Branca e Xavantinho, Guinga. Aliás, o primeiro disco da gravadora foi o primeiro disco de Guinga. A Velas tinha uma proposta musical alternativa ao padrão imposto pela grande indústria. Montou estrutura, divulgação e distribuição nacionais. O vendedor da Velas ia ao lojista oferecer o produto. Ouvia: "Quero, mas não vou pagar agora, pago se vender." Três meses depois, voltava o vendedor, para oferecer novo produto e cobrar o outro – que havia sido vendido. Ouvia: "Quero o novo, mas não pago o antigo, porque tenho de pagar à multinacional Tal, ou ela não me entrega a dupla sertaneja Qual & Pau."
Acontece que a dupla sertaneja Qual & Pau (pense na que quiser: Leonardos, Chitãozinhos, ou substitua dupla sertaneja por grupo de pagode ou por banda de axé) tem música na trilha da novela, paga para tocar em todos os programas de auditório e em todas as rádios – como o lojista pode ficar sem a dupla? Então, o lojista paga a gravadora que tem sob contrato a dupla sertaneja e não paga nunca a Velas, que tem o Edu Lobo (que infelizmente não tem música em novela nem toca em programa de auditório, muito menos no rádio). Perda por perda, o vendedor da Velas deixa o novo disco, sem receber pelo antigo – e assim a coisa seguiu. Em algum tempo, a Velas faliu. Está, no momento, porque os sócios são loucos idealistas, tentando voltar ao mercado.
Ou seja, estamos falando de economia, de lobbys, de pressões, não de música. Disco é negócio, todos sabemos. Precisa pagar-se, dar lucro. A questão é que os executivos do mundo do disco concluíram que o povo é burro e só vai consumir música burra. Então, o executivo da fábrica X inventa um grupo de pagode, paga para que ele apareça muito, etc. O da fábrica Y diz: "Este filão dá certo, vou nele", e inventa um grupo de pagode que imita aquele primeiro. É só o que eles fazem. Clonam-se uns aos outros. Se o Chico Buarque fosse bater à porta de uma gravadora hoje (Chico sabe disso, já disse que sabe disso) ouviria que sua música é "difícil" e não se enquadra nos "padrões da companhia". O mesmo com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Egberto Gismonti, Edu Lobo, Tom Jobim, Noel Rosa, Zeca Pagodinho, Cartola, Nélson Cavaquinho, Wagner Tiso: todos "difíceis", fora do padrão.
Claro: é preciso contratar o pagodeiro barato porque ele é orientável. Faça isso, faça aquilo, cante assim, vista-se assado, vá ao programa tal, diga tal coisa, mexa as cadeiras desse modo – e, sobretudo, não faça música. Ninguém trataria assim o Chico Barque – e já que ele não pode ser tratado assim, como coisa, como objeto, como ponta-de-lança de uma campanha de vendas, então afaste-se o Chico Buarque. Ele é "difícil".
Enquanto isso, o ouvinte vai acostumando o ouvido com as barbaridades criadas nos laboratórios de marketing das companhias de disco – padres cantores, traseiros cantores, sadomasoquistas cantores, falsas louras cantoras, negões vitaminados cantores. E perde a capacidade de comparar – comparar com o quê? O padre cantor com o traseiro cantor? Não há diferença. O ouvinte fica sem possibilidade de julgar (na verdade ele pensa que está escolhendo o grupo pagodeiro tal, quando, de fato, só sobrou para ele o grupo pagodeiro tal).
E os criadores... Bem, os criadores, os artistas verdadeiros, que existem, quase ninguém sabe, vão resistindo o quanto podem. Um dia, desistem – os novos Chicos e Caetanos, as novas Elis Reginas e Nanas Caymmis, os novos Jobins e Fátimas Guedes um dia desistirão. Precisam comer, vestir-se, sustentar filhos. A ganância dos executivos está promovendo um massacre da cultura brasileira que talvez não tenha similar na história da humanidade. Estão matando de fome o que temos de mais rico – nossa música. Matando de fome a inteligência e a sensibilidade.
Nota do Editor Texto gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo em junho de 1999.
"Mim quer tocar, mim gosta ganhar dinheiro! Me want to play, me love to get the money!!" (essa música é muito massa e rio muito com ela, acho que é por causa dos erros propositais de português, rss!!)
Aqui na rua onde eu moro sempre aparece um vizinho zé-mané com um carro usado e com aquelas músicas de sertanejo universitário, daquelas de criatividade bem duvidosa, no último volume ... os fins de semana a partir da meia-noite. Um desrespeito pros vizinhos que querem dormir. E em um desses dias, ouvi uma no volume que até os marcianos ouvem:
"A minha cabeça está pirada, fico louco pela madrugada..."
É claro que não é "pirada", mas eu fiz esse trocadilho pra dar mais graça. Obviamente o cara deve estar com a cabeça "pirada", pois ouvir música no volume máximo no horário desses só pode. Mas quem vai ficar com a cabeça mais "pirada" (ou "virada", como diz a letra original) é o povo que quer dormir.
Cena do Filme "Roberto Carlos e o Diamante Cor-de- Rosa" (Produções Cinematográficas R. F. Farias Ltda., 1970), dirigido por Roberto Farias
A letra tem tudo a ver com quando eu quis trocar coisas duvidosas que são o "você" da música por uma correta, pra tristeza dos meus pais e de alguns conhecidos meus.
Não Vou Ficar Composição: Tim Maia Intérprete:Roberto Carlos
Há muito tempo eu vivi calado Mas agora resolvi falar Chegou a hora, tem que ser agora E com você não posso mais ficar Não vou ficar, não (Não, não) Não posso mais ficar, não, não, não Não posso mais ficar, não
Toda verdade deve ser falada E não vale nada se enganar Não tem mais jeito, tudo está desfeito E com você não posso mais ficar Não vou ficar, não (Não, não) Não posso mais ficar, não, não, não (Não, não) Não posso mais ficar não
Pensando bem Não vale a pena Ficar tentando em vão O nosso amor não tem mais condição Não, não, não, não, não, não, não...
Por isso resolvi agora Lhe deixar de fora do meu coração Com você não dá mais certo E ficar sozinho é minha solução, É solução sim (ah, ah) Não tem mais solução, não, não, não Não tem mais solução, não
Pensando bem Não vale a pena Ficar tentando em vão O nosso amor não tem mais condição Não, não, não, não, não, não, não
Por isso resolvi agora Lhe deixar de fora do meu coração Com você não dá mais certo E ficar sozinho é minha solução, É solução sim (ah, ah) Não tem mais solução, não, não, não, Não tem mais solução, não, não, não Não tem mais solução não...
(P) 1969 Discos CBS, Columbia Broadcasting System/ Companhia Brasileira de Som (hoje Sony Music Entertainment [Brasil])
Oficina de canto VOZinVENTO da cantora e professora Suely Mesquita, de Niterói, Rio de Janeiro que, em 2008, lançou seu segundo CD "Microswing", aprovado pelo Ministério da Cultura. Há três anos, Suely vem pra Itajaí pra dar aula no período de seis dias .Isso sem dizer que eu também estive lá em novembro de 2009 e, até então, eu não sabia dessa oficina, apesar de eu ser itajaiense. Afinal, a maior parte do tempo, sou dona de casa solteira (não tão) bem dedicada [:D] [lembrando que não estou fazendo propaganda à Susan Boyle, ok?? E nem chego aos pés dela, kkkk!!]. Sou a de rabinho de cavalo e de vestido de alcinha azul que aparece no video da oficina. *3:51 , à direira *4:48 a segunda pessoa da esquerda pra direira *5:36 (idem) *5:42 a primeira a aparecer, rs!!(víxi!) (P.S.:Eu só não dei depoimento, porque sou Mallu Magalhães demais pra isso, rsrsrsrs!!)
Valeu, Suely Mesquita, volte sempre a Itajaí.
Suely Mesquita - Apresentação da Oficina de Canto (novembro de 2009)
Raul Seixas -Meu Amigo Pedro Pelo que eu li por aí na internet, Raul fez essa música para o irmão dele que era careta certinho que vai ao trabalho de terno e tacha o irmão Raul de porra-louca pelo seu envolvimento com drogas.
E aqui eu sou o "Pedro" da música, o que usa o mesmo terno, no meu caso, o mesmo penteado, o mesmo cabelo puxado, preso, que vai pro seu trabalho, ou melhor, pra onde estou me cursando alguns dias da semana (agora não, pois estou de férias até fevereiro). Desde sempre, sou uma caretona caseira que tem um comportamento diferente dos outros da minha faixa etária, inclusive dos conhecidos meus, que não aprovam como eu sou. Enquanto, para os baladeiros de plantão, a noite é uma criança, pra mim, que curte samba das antigas, Roberto Carlos e músicas mais criativas poeticamente, a partir da meia-noite, já envelheceu e tô na cama vendo um DVD ou escutando MP3 até o sono bater, eu eu acho isso mais agradável do que ficar no lugar super tumultuado. É que não gosto muito de embalos de sábado à noite e de ir a lugares onde tem gente bebendo além da conta e ficam perturbando os pobres sóbrios, ou melhor, não só não agrada a mim, mas também tenho medo de criminalidade que freqüentemente acontece nesse período, porque o que tem de traficante e assaltante, gente... E eu não só tenho mania de criticar (ô, se tenho...), mas também sou criticada pelos conhecidos meus,pois, a cada parceria que eu faço sempre acaba com a minha caretice demasiada. E a letra de "Meu Amigo Pedro" é como se eles estivessem falando pra mim, mas que, no fundo, gostam de mim ("Pedro, onde cê vai eu também vou...")